sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Uma Atualização do FAL Pela Via da Munição



Este artigo ou será o coroamento de uma linha de raciocínio iniciada há alguns meses no tópico sobre a CT-30 ou implicará no sepultamento deste mesmo esforço mental e de pesquisa.

Entretanto, eu me vejo por tal modo seguro em relação a esta proposta, como aficionado leigo e simples patriota, que não seria fácil para ninguém me demover das convicções que irei expor, e sugiro mesmo que nem se tente. Por outro lado, vou aceitar críticas e opiniões diversas como formas de aperfeiçoar e espancar incongruências da minha modesta sustentação.

O tema munições subsônicas é dos mais fascinantes dentro do espectro armas e munições.

Calibres cujos projéteis não rompem a dita barreira do som, ou a resistência elástica do ar na mesma medida dos supersônicas, mas, não obstante, têm alto poder de penetração e alto poder de parada a distâncias curtas e médias em função de seu peso e características aerodinâmicas, como o .45 ACP, o 9x39mm (este de longo alcance) e etc, são, de fato, “a menina dos nossos olhos”.

No artigo em inglês “Search For The Ultimate Subsonic Bullet” (“Procura da Bala Subsônica Ideal”), já citado por nós no tópico sobre a CT-30, amadores aficionados por caça esportiva e recarga de munições concluem que a munição .30 M1 pode transfixar coletes balísticos de kevlar nível 2 a distâncias não muito longas, embora usando balas não adequados a esta tarefa. Tal perspectiva aponta para uma munição com projéteis igualmente capazes de transferir toda a energia cinética que carregam para alvos moles (humanos) com a vantagem adicional de perderem velocidade no atrito com o ar rapidamente.

Esta última características preveniria, no emprego policial da munição em foco, o risco de que “balas perdidas” do alvo atingissem civis a longa distância, um ponto-chave na questão dos armamentos e munições para uso institucional dentro dos perímetros urbanos.

Na construção daquele artigo sobre a CT-30 eu lancei mão de uma artimanha de retórica a fim de ensejar esse debate: fingi não ter entendido que o site das Forjas Taurus contém simplesmente um erro relativo à balística da munição .30 M1. É notório que esta munição, com a sua carga plena, possui uma MV (“muzzle velocity”) de cerca de 600 m/s (970 ft/s), exatamente o dobro daquela que o site da Taurus especificou.

Entretanto, experiências de ponta com calibres subsônicos para fuzis de assalto levaram os russos a desenvolver a munição 9x39mm AP para o fuzil VSS-Vintorez. Este calibre comporta, de fato, três variações de munição a SP-5, a SP-6, e a PAB-9. A SP-6 é que mais nos interessa neste momento por ser do tipo AP (“armor piercing”) e capaz de perfurar uma proteção corporal de 6 mm de aço mais 2.8mm de titânio e 30 (trinta) camadas de kevlar a 200 metros. No uso anti-material, a SP-6, conquanto subsônica, dá conta de transfixar 2 mm de aço a 500 metros. O projétil desta munição pesa 16 gramas, quase o mesmo peso da bala no calibre .45 ACP, que tem 15 gramas de massa (
Speer Lawman FMJ).

As novas submetralhadoras russas PP-2000 e Vityaz PP-19-01, esta podendo ser classificada também como um rifle compacto de assalto consoante os parâmetros estabelecidos por alguns autores importantes, calçam o calibre 9x19mm e são usadas, sobretudo, com munições especiais como a 9x19mm 7N31 +P+, do tipo AP (“Armor Piercing”) e a 9x19mm 7N21 +P+, com jaqueta de aço. Fotografada com um abafador acoplado ao cano, a Vityaz PP-19-01 (alusão a foto que, hoje, em 17 de junho de 2009, sabemos ser da versão chamada Vityaz-SN, vista no site da fabricante Izhmash) faz pensar no VSS-Vintorez e na munição subsônica 19x39mm AP. Diante dessa simples imagem e avaliando a linha de pensamento da escola russa, não é extravagante se conjecturar que possa haver ainda munição subsônica em 9x19mm preparada para uso facultativo nesta arma, de modo a produzir a supressão total (ou quase) do estampido e de desempenho inicial semelhante ao da munição no calibre .380 ACP, ou 9mm curto, mas com pontas especiais.

Comenta-se que essa submetralhadora Vityaz PP-19-01 tenha sub-rogado recentemente o fuzil de assalto Kalashnikov AKS-74U em 5.45x39mm, com cano de oito polegadas, pelo menos, entre as polícias russas. Isto significa um retorno naquele país aos calibres com maior “stopping-power” em detrimento de calibres de fuzil “anêmicos”, que demandam canos e passos longos para o simples efeito de ter rajadas mais controláveis a curtas distâncias. Entrementes, esses canos longos, que têm ainda que ser compensados, em termos de peso, com culatras ou coronhas maiores que o necessário de modo a garantir o balanceamento das armas, tornam esses referidos fuzis de assalto grandes demais para os padrões atuais determinados pelos especialistas em CQB de todo o mundo.

Haja vista o artigo de jornal trazido para nós por e-mail pelo especialista em projetos de armamentos Paulo Gonçalves, que integrou a honorável equipe da BÉRGOM, comentando que o M-16, depois da Guerra do Iraque, já se tinha tornado “too bulky” para atender às demandas atuais do combate em ambientes urbanos (clique sobre a imagem para vê-la ampliada e poder ler o texto da reportagem):




Isso provocou a redução nos canos e dimensões gerais dos fuzis de assalto em 5.56x45mm, tendo surgido a M4A1 e a M4A1 Commando, entre os norte-americanos, o G-36C, entre os alemãs e etc. Todavia, a M4A1 Commando leva canos de 10.5 polegadas com passos de nove polegadas, que não permitem o aproveitamento completo da força de propulsão dos gases em expansão, e, por conta disto, a munição em 5.56x45mm não rendeu nada bem na Guerra do Afeganistão a distâncias superiores a exíguos 35 metros quando disparada desta arma.

Do fracasso geral e já bastante discutido do 5.56mm no Oriente Médio, surgiram os esforços para substituí-lo, ao menos entre as unidades de Forças Especiais, por um calibre com maior poder de parada que pudesse ser disparado de canos curtos de rifles de assalto compactos. O 6.8x43mm SPC Remington foi a resposta ideal encontrada: um calibre que libera uma quantidade de energia 44% maior que o 5.56x45mm e leva um projétil de 7.5 gramas de massa, que garante menos fragmentação contra alvos duros, e muito maior “stopping power”. Por outro lado, a adoção desta munição em lugar do 5.56mm demandaria uma substituição muito drástica em equipamentos para todos os países membros da OTAN, de modo que, em princípio, poucas unidades receberão armas em 6.8x43mmSPC Remington. Os EEUU estão assim atrelados a um dos piores calibres militares de munição já pensados, se não o pior, cuja adoção massiva constituiu sem dúvida umas das maiores gafes militares da História.

Por outro lado, a OTAN dispõe ainda de um segundo calibre de dotação muito generalizada e que é também o calibre básico das FFAA brasileiras: o 7.62x51mm.

Começa deste ponto a nossa proposta. Que sejam pesquisadas e produzidas pela indústria brasileira novas munições especiais no calibre 7.62x51mm de modo a atualizar o FAL, sem a necessidade absoluta de trocar-se uma única peça do nosso incomensuravelmente rústico e confiável MBR (“Main Battle Rifle”/ Fuzil Principal de Combate). A classificação do FAL como MBR, e não como fuzil de assalto, emana de alguns autores importantes e pode ser indiferentemente adotada ou não em relação a esta argumentação, fulcrando-se, ademais, em um único fator: a potência plena do calibre 7.62x51mm "standard".

De toda forma, dentro da sua categoria o FAL nunca foi sobrepujado por qualquer arma anterior ou posteriormente fabricada. Há quem defenda que os MBR não são mais necessários nos teatros de operações contemporâneos, mas não foi isso que se constatou no Afeganistão, quando as tropas norte-americanas se viram forçadas a deixar de lado o M-16 e a M4 e lançar mão do seu velho MBR padrão em 7.62x51mm, — o M-14, em serviço desde 1957 até os dias de hoje, com os seus 5.2 kg (11.5 lb) de peso sem carregador.

O que levou à adoção de calibres intermediários em CQB foi, com efeito, a necessidade de rajadas mais controláveis para entreveros a curtas distâncias.

Esse grau de controle nas rajadas do PARAFAL pode certamente ser obtido pela simples redução na carga de propelente dos cartuchos de 7.62x51mm e/ou eventuais alterações na qualidade desses mesmos propelentes. Ter-se-ia, então, uma munição de rendimento semelhante ou superior ao observado no 6.8x43mmSPC Remington – até aqui, talvez o melhor calibre para fuzis de assalto já concebido.

Ora, como eu posso garantir que pode ser fabricada uma munição em 7.62x51mm de aproveitamento bem semelhante ao do 6.8mm SPC Remington? Eu posso garanti-lo porque o estojo do 7.62x51mm cabe propelente na mesma quantidade usada naquele calibre, e, outrossim, um projétil de mesmo peso (7.5 gramas) ou de peso assemelhado, em torno de oito gramas, análogo ao do 7.62x39mm. Algumas das armas que vi disparando em 6.8x43mm pesavam pouco mais de um quilo e meio, o que obviamente acarreta uma maior dificuldade de controle de rajadas para o atirador que numa arma de 4.2 kg. Compensadas por este peso excelente e de aplicação universal do PARAFAL, poder-se-ia ter, com efeito, rajadas que liberassem aproximadamente aquela mesma quantidade de energia (2,385 joules), sendo ainda mais controláveis e isto sem a necessidade de se substituir os equipamentos ou sequer os cartuchos padrão do EB e da OTAN.
Esta solução alexandriana para cortar o “Nó Górdio” da questão envolvendo renovação/ atualização de fuzis de assalto no EB que salta às vistas, embora ninguém pareça vê-la, pode ser sintetizada no presente artigo através da fórmula – 7.62x51mm -P Spl, que, usando notações bem conhecidas da indústria nacional de munições, pretende falar por si mesma.

Com essa munição 7.62x51mm -P Spl, uma vez que as pesquisas tivessem chegado a um coeficiente ideal de resultado, poder-se-ia encher carregadores que iriam tornar o PARAFAL de MBR em fuzil de assalto altamente controlável em questão de segundos. Com pontas de cores diferentes, encham-se outros carregadores igualmente diferenciados através de cores com a munição em 7.62x51mm “standard” e, intercambiando-os, ter-se-á novamente o melhor MBR da História, um fuzil de potência plena, inteiramente fabricado no País, com todas as peças de reposição nacionais, pronto para o engajamento de oponentes a distâncias longas, pronto para dar rajadas menos controláveis e assim fazer saturação de área a 600 metros ou mais.

Uma vez que comecem os entreveros a ocorrer a distâncias mais exíguas, de 200, de 100 ou de 50 metros, troquem-se, ainda uma vez, os carregadores no campo de batalha para utilizar a nossa munição idealizada, 7.62x51mm -P Spl, e novamente se terá no PARAFAL o melhor e mais completo fuzil de assalto que a indústria bélica já viu.

Esta munição se, ao ter a sua carga ideal equacionada, não for de início subsônica, - e, nos termos esboçados acima, ainda não seria - podem as mesmas pesquisas ensejar o desenvolvimento de um 7.62x51mm Subsônico, para, no uso com abafadores, propiciar a supressão total (ou quase) do estampido da arma.

Está proposto o núcleo básico do nosso ideal, embora, até aqui, ainda não tenhamos falado em pontas especiais, mas apenas na modificação da carga de propelente isoladamente, quer em termos de quantidade, quer em termos de qualidade.

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Eu encerrei os dos últimos tópicos do nosso blog || ARMAS DE FOGO E MUNIÇÕES ||, ambos sobre as submetralhadoras de última e penúltima gerações que têm substituídos fuzis de assalto pelo mundo, indagando sobre se não seria muito mais producente que o EB investisse na pesquisa de munições especiais para romper proteções balísticas do que na troca ou modificação da nossa arma básica por outra qualquer no natimorto e cada vez mais inóquo calibre 5.56x45mm.

Pois bem, as munições que vislumbro como ideais para a revitalização do FAL e do PARAFAL seriam um 7.62x51mm AP (“Armor Piercing”) em pelo menos duas configurações de carga distintas: uma, de potência intermediária, que permitisse rajadas bem controláveis a curtas distâncias, e outra, de potência plena, para dar conta de romper proteções balísticas também a longas distâncias. Uma terceira configuração de carga possível para uso anti-material seria talvez bem designada como 7.62x51mm AP +P+.

Ressalte-se que os norte-americanos já pesquisam e fabricam em alguma quantidade desde o começo dos anos noventa a munição M993, em 7.62x51mm. Esta munição do tipo AP com núcleos em tungstênio é capaz de perfurar chapas de metal de 15mm a 300 metros.

Retornando ao penúltimo parágrafo, como elucubrar é inteiramente gratuito, volto a dizer que nós poderíamos pensar em desenvolver munições AP em três configurações de carga a que designarei aqui, para o simples efeito de construção lógica deste artigo:

- 7.62x51mm AP - P — com recuo de rajadas controlável (potência intermediária) para combate a distâncias curtas e médias, alto poder de penetração e alto poder de parada conjugados, visando ao emprego precípuo no PARAFAL;

- 7.62x51mm AP plena — com potência plena, longo alcance, alto poder de penetração e de parada para uso precípuo no FAL e no FAP; e

- 7.62x51mm AP +P+ — com carga especial potencializada pela qualidade e/ou quantidade de propelente para emprego antimaterial e antipessoal, aproveitando as características aerodinâmicas dos projéteis especiais com sabots, que propiciam de per si trajetórias mais tensas e maior precisão.

Estas três primeiras demandas de pesquisa e desenvolvimento respeitariam a versões do 7.62x51mm para uso privativo das FFAA.

Para uso em treinamento militar e das forças policiais dever-se-ia demandar a duas primeiras munições citadas acima:

- a 7.62x51mm - P Spl — FMJ, com recuo de rajadas controlável (potência intermediária);
- e 7.62x51mm “standard” de potência plena, já em uso.

Se a primeira daquelas três versões, para uso restrito das FFAA, já não calhasse de ser concomitantemente subsônica e de baixo recuo (potência intermediária), ter-se-ia ainda a possibilidade de encomendar aos técnicos da indústria nacional de munições uma quarta variação militar: a munição 7.62x51mm AP Subsônica.

Note-se que o amplo estojo do 7.62x51mm, bem mais longo, por exemplo, que o do 9x39mm, oferece muito espaço para se investir no peso de um projétil especial, com um núcleo em aço, alongado, de extremidade cônica, jaquetado ou não. A base do estojo do nosso cartucho padrão de fuzil, com 11.94 mm de diâmetro, também permite pesquisas sobre propelentes na quantidade e qualidade necessárias para que se obtenha sucesso pleno dentro dessas expectativas. A cópia e subseqüente aperfeiçoamento do que já existe de melhor é um método pragmaticamente seguro de se obter êxito em espaços curtos de tempo.

Foto em que se vê, da esquerda para a direita, as munições SP-5, SP-6 e M43 (7.62x39mm "standard" usada no AK-47). Tudo o que cabe nesses estojos, cabe também com folga no estojo do 7.62x51mm.




O “shape” dos das munições AP, ou "penetrators", de extremidades cônicas em aço ou noutros materiais de alta dureza, garante, maior estabilidade aos projéteis e trajetórias mais tensas, como já se mencionou acima. Assim, se tivéssemos que ter uma munição em 7.62x51mm AP adequada ao uso com supressores, esta poderia e deveria ser pensada a partir do êxito da SP-6 do VSS-Vintorez.

Vale lembrar, por esta altura, que as novas munições AP da empresa belga VBR, sobre que também fizemos um tópico recente, levam núcleos em aço (“penetrators”) mais alongados que os de outras munições do mesmo tipo. Isto permite que o projétil se revire dentro de alvos moles, produzindo cavidades permanentes realmente assombrosas: um outro padrão a ser analisado e adaptado.

Mesmo os projéteis de chumbo de 9.5 gramas de uma munição .308 com menos propelente e baixo recuo que se podem improvisar numa oficina doméstica de recarga, tendo permissão para tanto, produzirão cavidades temporárias significativamente mais amplas do que as observadas na balística terminal do calibre .223 e de outros calibres de potência intermediária e pouca massa quando atingindo alvos moles. O poder de penetração depende menos do diâmetro que da forma e dureza do projétil. Já as cavidades temporárias ocorrem em função da massa, da velocidade e, outrossim, do diâmetro do projétil.

Assim, o cômputo final das vantagens logísticas, financeiras e políticas de se investir na pesquisa de novas munições em 7.62x51mm é gigantesco.

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ATUALIZAÇÃO DO FAL E DO PARAFAL À LUZ DE NOVAS MUNIÇÕES ESPECIAS DE FABRICAÇÃO NACIONAL.


Como ficam, então, as propostas de atualização do FAL e do PARAFAL - as armas em si - à luz dessas perspectivas apontadas acima de uma pequena revolução nas pesquisas de munições sem muita “mirabolância” ou gastos excessivos e dentro de parâmetros que encontram inúmeros ecos em experiências semelhantes realizadas no exterior?

A atualização que se faz realmente premente diz respeito principalmente à colocação de trilhos picatinny para acoplar acessórios no modelos padrão do FAL e do PARAFAL, e isto pode ser feito mesmo em relação às peças do arsenal já em uso.

O peso dessas armas pode ser entendido como ideal para uma tríplice função associada às variações discutidas para a munição 7.62x51mm:

- ter-se-ia um PARAFAL fuzil de assalto, municiado com um 7.62x51mm -P Spl, -P AP ou, ainda, -P AP subsônico;
- um FAL e um PARAFAL MBR (“Main Battle Rifles”) municiados com o 7.62x51mm “standard” ou AP; e
- um FAL e um FAP snipers antipessoais e antimateriais municiados com um 7.62x51mm AP +P+.

Entrementes, para a função de fuzil de assalto, pode-se pensar em ter, ainda, um PARAFAL em 7.62x51mm -P, -P AP ou -P AP Subsônico, com canos mais curtos que o do M964 e com base (ou “lower receiver”) em material mais leve. Aqui já estamos falando na fabricação de novas peças para o arsenal com atualizações no projeto conformes com as demandas atuais de CQB, que, de toda forma, não importam em modificações no mecanismo da arma. Tomem-se como referências para esta empresa as experiências feitas para a construção do MD97L e, à quisa de ilustração, também as adaptações feitas pela DAS Inc. nos modelos táticos Mini SA58 FAL OSW e SA58 FAL.


Na foto abaixo, o M964 confrontado com a atualização montada pela DAS Inc. e chamada pela empresa norte-americana de SA58 FAL.








O Mini SA58 FAL OSW Rifle leva o lower receiver em alumínio, além do cano de 11"/13"
(clique sobre a imagem para ampliá-la).




Com a atualização das munições no calibre 7.62x51mm, nós teríamos, sem sombra de dúvidas, a melhor, mais versátil e mais confiável arma básica do mundo, tanto para CQB, quanto para combates a longas e médias distâncias, no que pode vir a ser o melhor calibre já visto para ambas as funções e com o mínimo de sobrecarga orçamentária, dentro de um programa inteiramente viável e sustentável.

O que me parece, na verdade, é que a atualização do FAL e do PARAFAL pela via da munição está tão visível adiante de nós como uma montanha incorporada à paisagem cotidiana, de sorte que se passa por ela todos os dias sem dar conta da sua opulenta presença.


Feedback.

O conjunto dos feedbacks que recebemos em relação a este artigo, apontando para uma possível necessidade de alterações sutis na arma a fim de que esta pudesse ser operada com calibres de pressões diferentes sem falhas na ciclagem está sintetizado no tópico
Ajustes Possíveis No FAL Para A Sua Atualização Pela Via da Munição / Uma Munição de 7.62x51mm Spl Subsônica .

Destaquem-se as colaborações do Engenheiro projetista de armas Paulo Gonçalves e do policial civil de São Paulo Jorge Aquino.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

PP-2000, Vityaz PP-19-01 e Vityaz-SN




No tópico anterior, enfocamos as submetralhadoras de última geração que estão substituindo fuzis de assalto em algumas unidades militares especializadas e em forças policiais de países Europeus. Estas armas ultra-compactas têm como características comuns poderem ser levadas no coldre de cinturão, sacadas rapidamente e disparadas como uma só mão. Têm alcance e precisão de armas longas e, em geral, utilizam ou podem utilizar munições especiais para perfurar proteções balísticas.

O calibre 4.6mm é empregado na HK MP7A1 adotada pela “infantaria do futuro” ("Infanterist der Zukunft") e pela polícia alemãs, e, outrossim, por unidades militares de outras nações européias. O 5.7x28mm é empregado na FN P-90 que não foi enfocada naquele tópico, mas sub-rogou fuzis de assalto junto a unidades anti-terror, forças especiais e forças policiais por todo o mundo desde o final dos anos oitenta.

Algumas dessas submetralhadoras de última e penúltima gerações estão no limiar entre as submetralhadoras em geral e as pistolas automáticas, como a VBR PDW Sidearm, desenvolvida para uso com a munição VBR-Belgium 9mmP. A impressionante Brügger & Thomet MP9, de fabricação suíça, tem sistema de ação de pistola, “short recoil operation” com trancamento de culatra (“locking breech”), precisão intrínseca incomum e alcance de 50 metros com munições 9x19mm convencionais.

Foto da submetralhadora PP-2000, de fabricação russa.



Os russos, entretanto, estão fabricando submetralhadoras dentro desses mesmos padrões gerais que comportam todos os predicados das supracitadas com vantagens assombrosas sobre todas aquelas, inclusive, sobre HK MP7A1.

A mais compacta dessas pistolas-metralhadoras russas é a PP-2000 em que é empregada a munição 9x19mm 7N31 +P+, de características semelhantes às da VPR-Belgium 9mmP, comentada em tópico recente deste blog. Trata-se, como esta, de uma munição do tipo “armor piercing”, tão perfurante ou mais que a 5.7x28mm e a 4.6x30mm, porém com alto poder de parada e propelente em qualidade e quantidade suficientes para garantir um alcance efetivo estimado em 100 metros
, embora algumas fontes exagerem essa estimativa, chegando a falar em alcances efetivos de 200 e até 300 metros, que pela lógica, poderiam ser alcances de saturação. Outra munição empregada nesta arma é a 9x19mm 7N21 +P+, com jaqueta de aço.


A PP-2000 é produzida na célebre fábrica de Tula e opera no sistema "blowback"; levaria carregadores com capacidade entre 2o e 44 munições e pesaria 1.4 quilos vazia. A cadência de fogo da arma seria da ordem de 600 tpm. As primeiras versões não tinham coronha; as mais recentes comportam coronhas rebatíveis. O guarda-mato se extende para frente de sorte a formar uma superfície vertical de manobra. A seleção de fogo permite à arma atirar em regime semiautomático e automático.

Rústica, com um número extremamente otimizado de peças, esta submetralhadora é de construção simples e barata, nos moldes básicos da escola russa de armamentos leves.


Se a MP7A1 já era das armas mais impressionantes que eu havia visto, não sei o que dizer desta aparentemente prodigiosa PP-2000 a não ser ratificar que uma nova geração submetralhadoras está realmente despontando para substituir fuzis de assalto com amplas vantagens. Os MBR em 7.62mm, como o FAL, não perdem as suas aplicabilidades para estas armas, certamente, mas os fuzis de assalto no calibre 5.56x45mm, 5.45x39mm e outros calibre intermediários ficaram conceitualmente obsoletos diante delas. Isso não significa em absoluto que vá haver uma substituição de fato em nível global, mas apenas que esta substituição seria técnica e taticamente possível, trazendo vantagens que saltam às vistas.




Consta que a pistola Makarov e o fuzil de assalto Kalashnikov AKS-74U em 5.45x39mm, com cano de oito polegadas, cederam lugar recentemente junto a grupos táticos especiais das forças policiais russas a duas submetralhadoras de uso conjugado, respectivamente, a PP-2000 sobre que discorremos acima e a Vityaz PP-19-01.

Esta última pistola-metralhadora - ou sub-carabina, para alguns - é baseada no rifle de assalto ultracompacto AKS-74U, com que compartilha setenta por cento das peças. Porém, a arma opera em "blowback", tendo baixo custo de fabricação, e calça também o 9x19mm, convencional, 7N21 e, teoricamente, a 7N31, embora não haja fontes que mencionem o emprego desta última na Vityaz, por enquanto. Os carregadores em polímero de trinta munições da Vityaz PP-19-01 podem ser presos por um clipe dois a dois de sorte a permitir uma remuniciação mais ligeira.


Foto que se dizia ser da submetralhadora russa Vityaz PP-19-01 quando escrevemos este artigo, no ano passado, mas que, hoje, em junho de 2009, parece ser da Vityaz-SN dada a presença de trilhos do tipo Picatinny. Não há menção a um modelo PP-19-01 no site da Izhmash, levando-nos a crer que esta nomenclatura tenha sido usada para um protótipo ou modelo abandonado em prol do modelo SN.
(Igor Buys; 13 de junho de 2009)





Essa nova submetralhadora fabricada pela Izhmash, com coronha rebatível, pesa aproximadamente 3.0 quilos vazia, leva canos de 237.5mm (pouco mais de 9 polegadas) e dispara a uma cadência de 750 tpm com um alcance efetivo confirmado de 200 metros.

Uma versão da PP-19-01 chamada Vityaz-SN leva trilhos Picatinny para acoplar acessórios, tendo o aspecto de uma arma para emprego militar.


Foto da Submetralhadora Vityaz-SN


Esses dados incompletos e não obstantes impressionantes, a visão das armas e a previsão do que podem fazer nos levam a encerrar este tópico da mesma forma que encerramos o anterior. Indagando-nos sobre se não seria muito mais producente, mais urgente e importante que o Ministério da Defesa se concentrasse no desenvolvimento de munições especiais modernas capazes de perfurar proteções balísticas, com alcance, precisão e “stopping-power” compatível com o da 9x19mm 7N31 +P+ e o das VBR-Belgium, ao invés de pensar em trocar a nossa arma básica por um fuzil de assalto no natimorto e cada vez mais inóquo calibre 5.56x45mm?


Quando se queira um recuo menos acentuado para rajadas mais controláveis à curta distância, as munições em 9x19mm podem levar menor carga de propelente, tornando-se subsônicas e adequadas ao uso com abafador, hajam vista as munições em 9x39mm do VSS Vintorez, já que estamos comentando projetos da escola russa de armamentos leves. Desde o tópico deste blog sobre a CT-30 e munições que poderia utilizar, advogamos humildemente esta tese. As munições subsônicas à curtas distâncias mantém o poder de perfuração, tanto mais se forem do tipo AP (“armor piercing”).

O que não se pode é pleitear uma cadeira no Conselho de Segurança que irá eventualmente aumentar a necessidade de se enviar contingentes ao exterior a fim de integrar tropas de paz internacionais, correndo o risco de esses contingentes se defrontarem com oponentes virtualmente invulneráveis por conta do simples uso de coletes balísticos na configuração CRISAT ou superior, nem contar com a proficiência inquestionável do nosso velho FAL e do calibre 7.62x51mm para resolver todas as lacunas deixadas no arsenal pelas políticas de arrocho contra as FFAA brasileiras.


Vityaz-SN com dois carregadores presos por um clipe de metal.




Essas são apenas as palavras de um leigo, mas, encerram concomitantemente as preocupações honestas e isentas de interesses paralelos de um patriota brasileiro.

Havendo novas informações sobre as armas em loco aqui, atualizaremos paulatinamente este tópico.

Abaixo, vídeo recente da fabricante Izhmash, com narração em inglês, falando sobre a submetralhadora Vityaz-SN (atualização de 03 de outubro de 2009):

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Submetralhadoras De Última Geração: Substituindo Fuzis de Assalto





O limiar entre o que seria uma pistola automática e o que se pode definir como submetralhadora tem-se tornado cada vez mais fugidio nos últimos tempos.

A MP7A1, por exemplo, tem muitas características das pistolas da HK, como frame em polímero - embora com reforços em aço - e tecla de segurança sobre o gatilho, não obstante o seu sistema de operação tenha sido anunciado como idêntico, em escala reduzida, ao do fuzil HK G36. Isto importaria operação à gás com ferrolho rotativo de múltiplos ressaltos, pistão alocado sobre o cano com mola de recuperação própria e transportador do ferrolho constituindo peça independente daquele, um sistema rústico e altamente confiável. Esta arma já foi adotada por unidades do exército e da polícia alemãos em 2007 e por unidades militares de várias nações européias desde aquele ano. A peça pesa, vazia, 1.8 kg (3.96 lb) e tem um comprimento de 340 mm (13.4 in) com a coronha retraída.



A Brügger & Thomet MP9 também incorpora soluções e mesmo sistema de operação de pistola automática unidos a características de submetralhadora. A arma atua, como a maioria das pistolas, por “short recoil operation” com trancamento de culatra (“locking breech”), i.é, utilizando a força de recuo do ferrolho para ciclar e ejetar as cápsulas vazias. Esse sistema de operação garante à pistola-metralhadora uma cadência de 900 tiros por minuto, pouco abaixo da Ingrand MAC-10 de que o EB dispõe em alguma quantidade, esta com cadência de 1090 tiros por minuto.

A BT MP9 leva carregadores translúcidos com capacidade entre 15 e 30 tiros em 9mmP, frame em polímero, seletor de fogo que permite atirar em full-auto ou semi-auto, coronha rebatível, manopla vertical frontal, trilho para acessórios, rosca para abafador e pesa 1.4 quilos vazia.



Logo acima e logo abaixo fotos da submetralhadora Brügger & Thomet MP9.



Essas submetralhadoras de última geração, que levam trilhos picatinny para acoplar acessórios, são ultra-compactas e, sobretudo, atiram em modo semi-auto com precisão e alcance de armas longas, podendo, ao mesmo tempo, ser carregadas no cinturão como “sidearms”, tendem a substituir em CQB, em uma larga medida, os fuzis de assalto compactos que vinham sendo usados também como “sidearms”, entre os quais a M4A1 Commando e o próprio G36C, que é empregado junto com a MP7A1 pela "Infanterist der Zukunft" (Infantaria do Futuro), a qual é parte do programa "Soldado do Futuro" da Bundeswehr, a Força Federal de Defesa Alemã, que unifica Exército, Marinha de Guerra e Força Aérea. Quanto a alcance e precisão, ressalve-se que a BT MP 9 em 9mmP, embora citada aqui, ainda não se insere bem nessa categoria, com alcanse efetivo de 50m, enquanto que a MP7A1, em 4.6mm, verdadeiro ícone de uma nova geração, tenha alcanse efetivo de 200m. De toda forma, a carabina M4A1 Commando, em 5,56mm, com cano de 10.5 polegadas e passos de nove polegadas, que não permitem o aproveitamento completo da força de propulsão dos gases, tampouco rendeu bem no Afeganistão a distâncias superiores a exíguos 35m.



As aplicações dos fuzis em 7.62mm, que alguns autores importantes entendem ser MBR ("Main Battle Rifles"/ Rifles Principais de Combate) permanecem as mesmas, tanto para as infantarias, como para as forças policiais. No trabalho policial, contra fuzis de potência plena em campo aberto, fuzis de potência plena em mãos de homens melhor treinados - agentes públicos policiais. Nos campos de batalha, na medida em que o engajamento dos oponentes vá ocorrendo a distâncias menores, sacam-se as metralhadores e voltam os fuzis para as bandoleiras. Muito se fala sobre peso de armamentos, mas um infante em marcha carrega em média 40 quilos de equipamento ainda hoje e o número de acessórios fundamentais agregados aos fuzis de última geração cresce ininterruptamente.

Na foto abaixo, atualização do FAL para CQB montada pela DSA Inc., em 7.62mm, com lower receiver em alumínio, canos de 11/13 polegadas, trilhos picatinny sobre as telhas, sobre o cano e caixa de culatra e acessórios.



Outro dado importante em relação aos combates a curtas distâncias é o avanço das tecnologias de proteções balísticas e a necessidade de munições para as submetralhadoras em foco que, acompanhando esses avanços, perfurem coletes de configuração CRISAT (1.6mm de titânio sobre 20 camadas de kevlar). É aí que entram as munições AP em 9mm e outros calibres, como a VBR-Belgium, e calibres como o 5.7x28mm da FN P-90 e o 4.6x30mm da HK MP7A1.


Abaixo, foto da BT MP9 no coldre
.


No tópico recente Munição VBR "Armor Piercing" 45 ACP e 9mmP, aquela arma que é apresentada no terceiro vídeo, a qual a fabricante chama de “VBR PDW Sidearm” eu houve por bem definir como pistola automática, mas não resta dúvida quanto a esta, das três em foco aqui, ser a que está realmente no limiar entre as pistolas e as submetralhadoras. Acredito que o sistema de operação possa ser semelhante ao da Glock 18, por exemplo, ou da Brügger & Thomet MP9, o mesmo “Jonh Browning`s Short Recoil Operating System, With Locked Breech”.

O vídeo do seriado "Future Weapons" sobre a MP7A1 mostra um detalhe que provavelmente tenha escapado aos olhos de muitos: quando se movimentando em traje de campanha, o ex-SEAL que apresenta o programa leva um rifle “sniper” de ferrolho na bandoleira e a MP7A1 nas mãos, uma perfeita combinação que pode ser resolvida também pela conjugação MBR em 7.62mm (FAL ou PARAFAL) e submetralhadora:



Clique aqui para assistir o vídeo no youtube.

Assim, as atualizações de que o FAL e o PARAFAL realmente necessitam não ultrapassam muito a simples colocação de trilhos picatinny sobre as telhas e sob o cano e sobre a caixa de culatra para acoplar acessórios.

Entendido como MBR, e não como fuzil de assalto, o nosso FAL, dentro da sua categoria, com função híbrida: fuzil de combate/fuzil-metralhador, é um rifle imbatível; nunca houve arma anterior ou posterior que o igualasse. Talvez o G3 tenha chegado mais perto disso, mas o M14, que continua sendo o MBR ("Main Battle Rifle/Rifle Principal de Combate) das tropas norte-americanas, a despeito de ser um excelente rifle, não chega nem perto do FAL, considerada a incrível rusticidade, a simplicidade, toda a incomensurável confiabilidade, o tamanho e o peso do PARAFAL. Entendido erroneamente como fuzil de assalto, o PARAFAL ainda superaria, em muitas circunstâncias, já pelo calibre, todos os fuzis mais modernos em 5.56mm, alguns destes, péssimas armas no que concerne à rusticidade e confiabilidade. Hajam vista as experiências amargas recentes dos norte-americanos no Oriente Médio, já citadas neste blog e, há pouco, neste mesmo tópico, que levaram unidades especializadas e de infantaria a porem de lado os M-16 e M4A1 e usarem como fuzil de assalto o MBR padrão da tropa em serviço desde 1957 até os dias de hoje, com mais de cinco quilos de peso, sem o carregador – o M-14, em 7.62mm. A premência dessa substituição foi de tal ordem, dado que o engajamento dos combatentes afegãos nas montanhas ocorria a partir de 300m, que deixou como marca para avaliações pelos especialistas de todo mundo as coleções de fotos, mostrando improvisações desesperadas do M-14 para receber trilhos e “red dots”.





Ao invés de pensar em trocar ou modificar a arma principal das nossas tropas, seria muito mais profícuo que o Alto Comando se concentrassem em garantir uma produção nacional de munições especiais modernas, sobreduto em 9mm, capazes de perfurar coletes na configuração CRISAT e outras proteções balísticas.

Essa providência já traria um fôlego novo a velha M9 M972 , mas não seria absurdo pensar-se em adquirir nova licença para fabricação de submetralhadoras de última, ou penúltima geração como a Brügger & Thomet MP9, por exemplo. Com isso, se lucraria muito mais do que adquirindo ou produzindo fuzis de assalto anacrônicos no sempre decepcionante e “anêmico” calibre 5.56mm.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Os Exportadoes Brasileiros De Defesa








Em face das políticas de arrocho sobre armas e munições que persistem e recrudescem, conquanto a proposta desarmamentista tenha sido derrotada pela via democrática direta no Brasil, aficcionados por tiro esportivo e colecionadores chegam a pedir um retorno à conjuntura política dos anos sessenta e setenta. Há quem use com nostalgia, inclusive, a palavra ditadura.

Bem, a última coisa de que o Brasil precisa é de uma ditadura. Ditaduras geram péssimas imagens comerciais para os países em que se instauram.

Os EEUU elegeram um presidente negro e que se autoproclama progressista, recentemente. Para que isso tenha chegado a ser possível, grandes "lobbies" e conglomerados agiram em favor do candidato.
Ora, por que esses grupos empresariais tomaram essa posição?

Porque a imagem dos EEUU como um país "de linha dura" vem causando perdas nas relações comerciais internacionais. A imagem do presidente Obama tende a deixar os investidores e parceiros comerciais daquele país mais confortáveis.

O que havia no regime de força e que deve voltar a haver no Brasil, como há nos países mais estáveis e bem consolidados econimicamente, incluindo os EEUU, a Rússia, a União Européia inteira e a China, são - instituições mais fortes, sobretudo, forças armadas e serviços de inteligência.

A PF, há alguns anos, foi alvo de escândalo por ter "grampeado" oficiosamente o senhor Fernando Henrique Cardoso, então, Ministro da Fazenda, se não me engano, e, ainda, outros Ministros, Senadores e etc.

Esse poder de polícia oficial e oficioso das instituições umas sobre as outras, sobre os agentes públicos políticos, sobre os delinqüentes, sobre os ativistas e outros seguimentos é o que, com efeito, leva os países "para os eixos". Isso e mais uma boa diplomacia que nós, por sorte, já temos.

Ditaduras agem de forma muito ostensiva, enquanto que a tendência hoje no mundo inteiro é de se exercer controle forte de todas as atividades relacionadas à segurança nacional e ao bem comum de forma discreta.

Pode haver perfeitamente um "socialismo rosado" semelhante ao europeu no País, ou um regime mais à direita, tanto faz, na verdade, desde que haja instituições que fiscalizem e "moderem" as atividades políticas, sociais e, por via de conseqüência, econômicas, tendendo apenas a favorecer os interesses nacionais frente aos estrangeiros e nada mais.

Esse é o caminho do sucesso e é o que deve acontecer, querendo-se ou não.

Em regimes assim, vendem-se armas até de dotação para cidadãos civis sem muita preocupação.

...

DEFESA BR

Muito agradável de se ler esse site, que, inobstante, salvo engano meu, parece não estar sendo atualizado, há algum tempo (hoje, em 19 de junho de 2009, vê-se que o site está sendo regularmente atualizado). Igualmente agradável e profícua é a leitura do blog DEFESA BR, este permanentemente atualizado e também de grande valia.


O site, com o artigo introdutório que dá título também a este tópico:
www.defesabr.com/Md/md_exportadores.htm#Intro

O blog:
defesabr.com/blog/

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EM APÊNDICE.


Hino da República Federativa do Brasil.

-Imagens da tropa e arsenal do Exército Brasileiro ao fundo.



sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Munições VBR "Armor Piercing" 45 ACP e 9mmP



Eu estou extremamente impressionado com essas munições fabricadas pela VBR - Van Bruaene Rik, uma fabricante belga de armas e munições, que apresenta uma também bastante impressionante arma em 9mmP, a pistola automática chamada VBR PWD Sidearm.

Comecemos pelas munições.

Como comentou o mestre Paulo Gonçalves recentemente na nossa comunidade no orkut, as munições têm evoluído muito mais do que as armas em si nas últimas décadas. As armas mais avançadas utilizam sistemas que remontam às mais antigas e confiáveis, aliando-os por vezes a novos materiais e outras tecnologias de ponta, sobretudo no que concerne a acessórios.

Já a indústria de munições tem de fato trazido inovações assombrosas. Quanto às munições do tipo AP - "Armor Piercing" - é bem verdade que já são utilizadas em canhões de longa data, embrionariamente desde o século XIX, sendo empregado mais contemporaneamente como propelente nessas munições poderosos explosivos tais como TNT e T4. Sobre isto, haja vista o artigo seguinte postado na wipedia em inglês:

- http://en.wikipedia.org/wiki/Armor_piercing_round .

Munições do tipo AP para armas leves, no entanto, vêm acompanhando a evolução concomitante das proteções balísticas no sentido de evitar a invulnerabilidade bastante indesejável de infantes inimigos, terroristas e delinqüentes.

O incidente conhecido como "FBI Miami shootout" ajudou a alavancar essa corrida por novas munições antiproteções balísticas. Leia-se sobre o incidente novamente na wikipédia em inglês:

- http://en.wikipedia.org/wiki/1986_FBI_Miami_shootout .


A munição VBR .45 ACP AP é capaz de transfixar dois coletes sobrepostos de kevlar nível dois penetrando ainda por cerca de seis polegadas adentro de um bloco de gelatina balística, como se vê demonstrado no vídeo abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=q3K1VgJpiNE


Os calibres 5.7x28mm e 4.6x30mm, também fabricados pela VBR, se chegam ao mesmo nível de poder de penetração, de forma alguma têm "stopping power" comparável ao desta munição.

Os núcleos de aço dos projéteis das munições AP são chamados "penetrators" e podem ser fabricados em diversas dimensões. O "penetrator" da VBR .45ACP AP mede 7mm de diâmetro. É recoberto com uma capa plástica leve e de mais baixa resistência ao impacto na cor branca. Essa capa pode vir jaquetada, o que irá conferir uma performance diversa ao projétil, abrindo na gelatina uma cavidade permanente linear e de largura constante.

Sem a jaqueta, com a ponta plástica branca exposta, a munição chega a abrir uma cavidade permanente de oito centímetros de diâmetro dentro da gelatina no ponto de maior efeito, como se viu no vídeo acima.

Esses resultados, frise-se, são obtidos através de disparos de uma 1911 convencional, com todas as vantagens concernentes ao uso dessa incomensuravelmente confiável pistola.



No começo deste segundo vídeo, sobre a VBR-Belgium 9mmP AP, é explicado como funciona a nova tecnologia belga de munições "armor piercing". O "penetrator" tem um diâmetro relativamente pequeno, mas é alongado o bastante para revirar-se dentro do alvo de modo a causar cavidades permanentes assombrosas, uma vez que não sofre deformação.

http://www.youtube.com/watch?v=ZyKMz3tYx-M


Os primeiros testes são feitos com uma pistola Browning High Power a demonstrar que a tecnologia de ponta se alia ao clássico para amalgamar confiabilidade e resultados que superam os novos problemas tecnológicos da contemporaneidade.

Obviamente, uma submetralhadora MP-5 carregada com tal munição, uma MP-9 ou mesmo uma MT-12 vão apresentar vantagens contundentes sobre a ultramoderna MP7A1: aqui se tem "stopping power" em níveis novos a serem ainda mais fundamente postos à prova somado ao mesmo tipo de poder de penetração que a munição em 4.6mm tem mostrado ao mundo.
No segundo teste, é utilizada uma Glock 17. Vê-se, então, em detalhes o estrago que a separação entre a capa ("sabot") e o "penetrator" de 6mm desta munição podem fazer dentro de um alvo mole. Como é dito no filme, o efeito é devastador.

Finalmente, é demonstrado que a munição pode transfixar um colete de kevlar nível dois com uma armadura de 4mm de titânico sobreposta. Chamam a atenção as faíscas produzidas no impacto contra o titânio, bem como as queimaduras deixadas no metal. Após transfixar as proteções balísticas, o "penetrator" ainda mergulha fundo na gelatina.

Neste terceiro vídeo feito pela fabricante, é apresentada a VBR PDW Sidearm, uma pistola automática com frame em polímero que impressiona quase tanto quanto a munição. Ultracompacta, ambidestra, com coronha retrátil, estruturas de manobra verticais peculiares, trilho picatiny para acoplar acessórios e rosca para supressor, a pistola convence, embora nada seja dito sobre o grau de rusticidade e o sistema de ação da arma, que usa os carregadores da Glock.

http://www.youtube.com/watch?v=pQ4T5W4SkS4


No vídeo é mencionado o novo calibre 7.92x24mm AP também fabricado pela VBR, sendo certo que a empresa manufatura, ainda, munições com a tecnologia AP em .44 Magnum.


Eis o site da fabricante:

- http://www.fsdip.com/website/ .

domingo, 9 de novembro de 2008

A Baixa Confiabilidade Do Mecanismo Do Ar-15/M-16



Vamos começar a discussão dessa questão pela abordagem das tentativas de solução para os problemas no mecanismo de funcionamento dos fuzis da família AR-15/M-16/M-4 levadas a cabo, recentemente, por várias empresas, como a LWRC e a Barrett. O texto transcrito abaixo é do especialista em armas leves Alexandre Beraldi, que cita a DSA Inc. como umas das primeiras empresas - ou, quiçá, a primeira - a tentar "consertar" os fuzis de assalto dessa família, bebendo em fontes que podem parecer surpreendentes para muitos, como as réplicas dos nossos fuzis FAL e PARAFAL montadas nos EEUU.


transcrição:

"Desde sua introdução, o maior “senão” da família AR-15/M-16 era no tocante ao seu mecanismo de funcionamento. Não que o mesmo não fosse confiável: é, de fato, uma arma bastante confiável, desde que seja rigorosamente e freqüentemente limpa. Ocorre que o fuzil desenhado por Eugene Stoner tem um sistema de tomada de gases que os capta através de um evento próximo a boca do cano e, direcionando-os através de um fino tubo, lança-os sobre o transportador do ferrolho, impulsionando esta peça para trás, fazendo, assim, o mecanismo da arma ciclar. O núcleo deste conceito é que o jato de gases dentro da caixa de culatra expulsaria todos os detritos e impurezas que tivessem adentrado no mecanismo, tais como areia, barro, etc., tornando a arma imune a falhas em ambientes hostis, daí o apelido que a arma recebia: “fuzil autolimpante”. [grifos nossos]

"A idéia funciona até determinado ponto, porém, com o acúmulo dos resíduos de pólvora dentro da caixa de culatra, a arma tende a falhar, pois quando estes resíduos interagem com a umidade presente no ambiente forma-se uma espécie de goma, que fica incrustada no transportador do ferrolho e na cabeça giratória de trancamento deste, impedindo o correto trancamento do conjunto cano-ferrolho, impossibilitando, assim, o disparo. Outra desvantagem é que o sistema não pode ser imerso em água, pois se o fuzil for disparado com água no interior do tubo de gases, a elevada pressão romperia este componente, e o jato de água resultante destruiria a caixa de culatra. Daí o hábito dos US Marines em colocar uma camisinha na boca do cano da arma quando realizam desembarques anfíbios, impedindo a ingestão de água". [grifos nossos]

"Outros Fuzis de Assalto baseiam-se num conceito que, desconsiderando pequenas variações, é o utilizado no mecanismo de funcionamento de armas como o AK-47 e o FAL. Estes utilizam um êmbolo ou pistão posicionado logo após o evento de gases e correndo paralelo ao cano, sendo este êmbolo que recebe o jato de gases em sua face e é lançado para trás, acionando o transportador do ferrolho e fazendo a arma ciclar. Desta maneira os gases resultantes do disparo não entram em contato com as peças móveis do interior da caixa de culatra, mantendo-as limpas e aumentando sua confiabilidade. É um sistema que também tem a vantagem de ser imune a imersões em água, pois não há espaço para o acúmulo de uma quantidade prejudicial de água no sistema de gases e, além disso, há na maioria dos designs um ou mais eventos no cilindro de gases, logo após os primeiros centímetros de curso do pistão, para lançar o excesso de gases, detritos e água de volta à atmosfera [...] [grifos nossos]".

"Voltando às armas, a DSA Inc., que é uma empresa tradicional no mercado norte-americano, é famosa por vender réplicas do nosso conhecido Fuzil de Assalto FAL nas suas mais diversas versões, bem como componentes e acessórios para esta arma oriundos dos mais diversos países, inclusive do Brasil [grifos nossos].

"Há algum tempo a empresa resolveu produzir cópias do AR-15/M-16 para o mercado norte-americano, porém, ciente que já havia diversas empresas que faziam o mesmo e impressionada com o robusto mecanismo do FAL, resolveu incluir em sua arma um diferencial: juntou-se à P.O.F. USA e desenvolveu um sistema de funcionamento para a família AR-15/M-16 baseado no acionamento do transportador do ferrolho com ação dos gases sobre um êmbolo, que deu origem ao Fuzil de Assalto Z4 GTC C.R.O.S (Corrosion Resistant Operating System, ou Sistema de Operação Resistente à Corrosão) que utiliza peças do mecanismo de funcionamento da família AR-15/M-16 melhoradas e com acabamento cromado anti-corrosivo, combinadas com peças que imitam o sistema de gases do FAL, utilizando, inclusive, o regulador de gases desta arma.

"Com isto, eliminou-se uma série de peças problemáticas da família AR-15/M-16 e consertou-se os problemas relacionados aos Fuzis de Assalto M-16, tais como eliminação dos anéis de vedação de gases do transportador do ferrolho que sempre se desalinham, causando vazamento excessivo de gás para o interior do mecanismo; eliminação do tubo de gases e suas conexões, que também apresentam constantes vazamentos; eliminação do acúmulo de pólvora incombusta e da carbonização na cabeça do ferrolho; eliminação do aquecimento do extrator e da mola do extrator devido à descarga de gases quentes no interior do mecanismo, evitando falhas de extração dos cartuchos disparados; e diminuição do recuo percebido pelo atirador".

Alexandre Beraldi
"Fuzil de Assalto: O Panorama Atual"


O AFTN Paulo Gonçalves, que trabalhou durante muitos anos em projeto e fabricação de armamentos junto a uma das melhores equipes de projetistas que já se formou no mundo, a da BERGOM, e me dá a honra de ser moderador da nossa comunidade no orkut, fez naquele fórum o seguinte comentário sobre o texto do Alexandre Beraldi:

"Mago, na realidade isso já seria uma nova arma, né?

"Os problemas do AR-15 são notórios e vêm de muito tempo. A primeira referência significativa que eu me lembro foi em uma batalha no Vietnam em que soldados americanos, isolados por tempo maior, perderam por completo o poder de fogo por falta de possibilidade de manutenção freqüente na arma.

"Na época, a resposta da Colt veio através da colocação de uma catraca para forçar o fechamento do ferrolho, uma solução no mínimo simplória".


Não há dúvida quanto ao fato concreto se estar tentando quase que desesperadamente criar novas armas com o frame do velho AR em que os norte-americanos insistiram teimosamente ao longo de mais de meio século, a despeito de toda lógica e de todos os fracassos observados.

Os fuzis da LWRC ficaram famosos em todo o mundo através da série de TV "Future Weapons" por seus projetistas terem avançado no terreno pantanoso de investir nessa reconstrução do AR. A LWRC chegou a construir armas realmente impressionantes pela aparente e provável robustez aliada à compaticidade e ao emprego do novo calibre 6.8mm SPC Remington. A munição neste calibre libera 2,385 J contra os 1,767 J do 5.56mm (SS 109 FMJ) e as balas pesam 7.5 gramas contra as 4 gramas da munição do AR, fragmentando-se muito menos contra alvos duros.

Nas imagens abaixo, extraídas do site da empresa, vê-se uma análise comparativa esquemática e bastante didática dos mecanismos de funcionamente dos LWRC e dos AR/M-16 tradicionais:

How it Works:

LWRC Legacy Short Stroke Piston

(clique sobre as imagens para vê-las em movimento e ampliadas)

Traditional Direct Impingement





Abaixo, foto do mesmo site: pistão de gases semelhante ao do FAL é desmontado de sobre o cano de fuzil LWRC com o frame do AR:

sábado, 8 de novembro de 2008

Os Fuzis de Assalto Da 1a. à 5a. Gerações




Os fuzis de assalto podem ser agrupados conforme as gerações em que foram projetados, desde o pós-guerra.


Primeira geração - anos cinqüenta.


Transcrição:

"A primeira geração de Fuzis de Assalto, surgida nos anos 50, caracteriza-se pela construção combinando a caixa da culatra usinada em aço com as guarnições em madeira, e pelo uso de calibres intermediários, porém extremamente potentes, tais como o 7,62x51mm, no Bloco Ocidental, e o 7,62x39mm, no Bloco Oriental.

São exemplos notórios desta geração:O M-14 norte-americano e seus derivados, tal como o BM-59 italiano; o FAL belga e todas suas variantes de diversas origens; o H&K G-3 alemão e suas cópias; e, o ícone, o AK-47 e todas suas cópias e derivações, como o Type 56, o Valmet, o Galil cal. 7,62x51mm, entre alguns outros".

Alexandre Beraldi.

"O Histórico da Evolução do Fuzil de Assalto,
a Atualidade e o Contexto Brasileiro"



Observe-se que entre os fuzis de primeira geração elencados por Beraldi encontram-se também os mais confiáveis: o AK-47, a que o especialista chama "o ícone"; o FAL da indústria belgo-brasileira; o G-3 alemão e o M14 estadunidense. Outro que pode vir a ser listado entre os mais confiáveis em pouco tempo é o FN SCAR, de quarta geração, a que Beraldi dedicou um trabalho inteiro a parte, mas ainda não é mencionado por ele nesta classificação.


Segunda geração - anos sessenta.


Transcrição:

"A segunda geração, nascida nos anos 60, buscou uma maior economia e facilidade de produção, além da redução de peso, caracterizando-se pela construção em aço estampado ou ligas metálicas leves, como o alumínio, e pelo uso de guarnições plásticas.

São exemplos desta geração: o AR-15/M-16 norte-americano, que foi além, buscando também uma munição mais leve e barata, e o AKM russo".

Alexandre Beraldi.

"O Histórico da Evolução do Fuzil de Assalto,
a Atualidade e o Contexto Brasileiro"



A segunda geração de fuzis de assalto está longe de ser uma geração das mais confiáveis. A baixa confiabilidade do mecanismo do AR-15/M16 é melhor explanada pelo próprio Beraldi do que por qualquer outro, como se vê no tópico "A Baixa Confiabilidade Do Mecanismo do AR-15/M-16".

Beraldi também escreve:

"5 - Ressurgimento dos calibres “pesados”

Nos combates ocorridos no Afeganistão e no Iraque notou-se uma característica
interessante dos Fuzis de Assalto M-16 e M-4 utilizados pelos norte-americanos: somente quando a munição 5,56x45mm OTAN modelo SS109 “capotava” e fragmentava-se ao atingir o alvo é que eram obtidos bons índices de “stopping-power” ou “poder de parada”.
Quando este efeito de tombamento e fragmentação não ocorria, o projétil simplesmente atravessava o alvo, causando-lhe poucos danos, sendo necessário, por vezes, três a quatro disparos para incapacitar o inimigo. Ocorre que, ao ser disparada pelo Fuzil de Assalto M-16, com cano de 20 polegadas raiado à razão de uma volta a cada 7 polegadas, esta fragmentação só ocorre até os 200m. Quando disparada do Fuzil de Assalto M-4, com cano de 14 ½ polegadas raiado num passo de uma volta a cada 9 polegadas, a munição SS109 só atingia esta performance até os75m. E quando disparada de um Fuzil de Assalto M-4 Commando, com cano de 10 ½ polegadas e raiamento de uma volta a cada 9 polegadas, só se obtinha fragmentação até os 25m. Para os soldados que compõe o grosso da infantaria isto não faz diferença, pois a estatística demonstrou que a vasta maioria dos combates foram travados em distâncias de até 50m. Porém ficou demonstrado que os integrantes do USSOCOM engajavam seus alvos em distâncias de 300m a 600m, principalmente no terreno montanhoso do Afeganistão e nas largas planícies do Iraque. [...]

Isto levou, inicialmente, os combatentes destas unidades especializadas, bem como de algumas unidades de infantaria engajadas nos combates de montanha no Afeganistão, a recolocarem em uso o Fuzil M-14, calibre 7,62x51mm OTAN, [...]".

Alexandre Beraldi
"Fuzil de Assalto: o panorama atual"


Terceira geração - anos oitenta.


Transcrição:

"A terceira geração, surgida nos anos 80, buscou a maior compaticidade da arma, com a adoção de fuzis com configuração do tipo Bullpup (caixa de culatra assumindo o lugar da coronha), uma redução ainda maior de peso – caracterizada pelo emprego de materiais de nova geração, como os polímeros – e uma nascente preocupação com sistemas de pontaria mais eficientes, sendo exemplos desta fase: O Steyr Aug suíço, o FAMAS francês e o L-85 inglês, entre outros."

Alexandre Beraldi.

"O Histórico da Evolução do Fuzil de Assalto,
a Atualidade e o Contexto Brasileiro"



O Steyr Aug, membro possivelmente mais confiável desta geração, já saiu de serviço na Malásia, dando lugar à dotação da carabina M4A1, de quarta geração.

Eu de mim nunca depositei confiança nesses exóticos fuzis "bullpup" dos anos oitenta.
De modo similar, o automóvel de três rodas foi defendido por alguns, mais ou menos na mesma época, como uma evolução do automóvel, mas as supostas vantagens teriam que ser imensas para redefinir tudo a respeito dos veículos de quatro rodas: forma de dirigir, legislações mundiais de trânsito, hábitos, noção de estética e etc, sem falar em custos operacionais dessa revolução que não houve nem haverá.

Assim como houve um retorno aos calibres ditos "pesados" nos últimos tempos e, sobretudo, a partir das guerras do Iraque e do Afeganistão, os "bullpup" estão sendo descartados e preteridos em prol das configurações "de quatro rodas" da maior parte dos fuzis de quarta geração.


Quarta geração - anos noventa.


Transcrição:

"Já ao final dos anos 90 surge a quarta geração, a atual, caracterizada pela modularidade: em virtude do surgimento de novos cenários, vão chegando até o soldado de infantaria meios de tecnologia cada vez mais avançada, tornando-se de uso essencial, sob pena de não dar a mínima chance de sobrevivência aos que assim não procedem – como, por exemplo, o uso de equipamentos de visão noturna em conjunto com o armamento individual, pra estender pelas vinte e quatro horas do dia a capacidade de emprego eficiente da tropa. É mandatório, então, que o armamento do infante esteja apto a incorporar estes acessórios/atualizações de forma imediata, bem como desincorporá-los quando a situação não os exigir, seja para uma redução de peso, seja para preservação de componentes sensíveis.

Surgem então as versões do AR-15/M-16/M-4 com os “Rail Interface System”, ou sistema de interface através de trilhos de fixação, que permite a incorporação ao Fuzil de Assalto de acessórios diversos, tais como: equipamentos de visão noturna, miras laser, aparelhos de pontaria óticos com ou sem ampliação de imagem (lunetas e miras do tipo “red dot” – ponto vermelho), lançadores de granada, espingardas calibre 12, etc., tudo para melhor adequar a arma ao ambiente, à missão e à função daquele que a porta.
É patente também nesta fase a predileção pelas já citadas miras do tipo ponto-vermelho”, tais como as Aimpoint Comp M (adotadas pelo Exército Norte-Americano), as Mepor 21 (adotadas pelo Exército de Israel), as H&k (adotadas pelo Exército Alemão) e as Trijicon, entre outras, que por reduzirem em até 75% o tempo para efetuar-se a visada necessária a um tiro preciso (segundo estudos do próprio Exército Norte-Americano), tornaram-se equipamentos essenciais à sobrevivência nos conturbados e velozes engajamentos presentes no combate moderno.

Os exemplos de armas desta quarta geração são: a família M-16 A3/A4 RIS e o M-4 SOPMOD Norte-americanos, o Tavor israelense, o F2000 belga, o G-36/XM-8 alemão, bem como as evoluções de fuzis de gerações anteriores que buscam incorporar estas atualizações."



Alexandre Beraldi.

"O Histórico da Evolução do Fuzil de Assalto,
a Atualidade e o Contexto Brasileiro"



Como eu já pus em destaque acima, o FN SCAR é também um fuzil de quarta geração, se não for este o fuzil modular por excelência, copiado, em larga medida, pelo projeto Magpul Masada/Bushmaster ACR, que se cogita atualmente ter sido abandonado em favor, sobretudo, da dotação do SCAR pelas FFAA norte-americanas.


Quinta geração - ainda em fase de testes.


Transcrição:

"Não obstante toda esta modernidade, já há traços no horizonte de uma nova geração de fuzis de assalto, a quinta geração: na realidade são armas conjugadas, incorporando ao fuzil de assalto, um lançador de granadas - este normalmente com espoletas programáveis – além de sistemas de controle de tiro computadorizados, capacidade de identificação de amigo/inimigo e visada indireta (esta através de câmeras fixadas à arma, com imagem transmitida a um visor afixado ao
capacete).

"Esta nova geração de armas, que deve entrar em serviço já na próxima década, incorpora as últimas lições aprendidas nos recentes conflitos do Golfo e do Afeganistão, além de estudos e projeções que mostram que os combates futuros serão essencialmente urbanos – haja vista que no ano de 2010 teremos 85% da população mundial vivendo em cidades –, rápidos e com emprego maciço de sistemas de informação e armas de precisão, sendo vital para o infante a capacidade de saber onde ele próprio está, onde está o inimigo, visualizá-lo e neutralizá-lo, mesmo que este se encontre abrigado, e, preferencialmente, estando ele próprio protegido.

"São exemplos desta nova geração: o atualmente cancelado XM-29, substituído pela combinação XM-8/XM-25 norteamericanos (com interesse e sob observação por parte de outros países da OTAN), o PAPOP francês, versões atualizadas do F2000 belga, além de sistemas similares ingleses, israelenses, australianos, italianos, suecos, entre outros."



Alexandre Beraldi.

"O Histórico da Evolução do Fuzil de Assalto,
a Atualidade e o Contexto Brasileiro"

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"[...] Quando este efeito de tombamento e fragmentação não ocorria, o projétil simplesmente atravessava o alvo, causando-lhe poucos danos, sendo necessário, por vezes, três a quatro disparos para incapacitar o inimigo.

Isto levou, inicialmente, os combatentes destas unidades especializadas, bem como de algumas unidades de infantaria engajadas nos combates de montanha no Afeganistão, a recolocarem em uso o Fuzil M-14, calibre 7,62x51mm OTAN, [...]".

Alexandre Beraldi
"Fuzil de Assalto: o panorama atual"

"
Os exemplos de armas desta quarta geração são: a família M-16 A3/A4 RIS e o M-4 SOPMOD Norte-americanos, o Tavor israelense, o F2000 belga, o G-36/XM-8 alemão, bem como as evoluções de fuzis de gerações anteriores que buscam incorporar estas atualizações".

Alexandre Beraldi.
"O Histórico da Evolução do Fuzil de Assalto,
a Atualidade e o Contexto Brasileiro"



Fotos da wikipédia com legendas originais e grifos nossos (clique sobre as imagens para vê-las ampliadas).




"An Army marksman in Fallujah, Iraq, using a modified M14 with a Leupold LR/T 10x40 mm M3".




"A SEAL operator with an M14 rifle fitted with an optical sight and a forward grip, participating in maritime interdiction enforcement of U.N. sanctions against Iraq during Operation Desert Storm "



"A soldier from the 325th Airborne Infantry Regiment with an M14 equipped with a Sage M14ALCS railed chassis".

domingo, 2 de novembro de 2008

Dica: Defesa Contra Ataque De Cão De Guarda




Cães de guarda que se soltam das residências de seus donos podem atacar, mutilando ou matando um pedestre.

Ao notar a aproximação de um CG aparentando intenção de ataque, faça uma guarda especial da seguinte forma: segure a sua própria nuca firmemente com a mão fraca, de modo que o seu cotovelo fique a frente do queixo e o braço protegendo pescoço e fronte. Ao mesmo tempo, saque a sua arma, mantendo-a junto do seu corpo em posição não ameaçatória. Faça base com uma perna a frente.

Sangue frio é fundamental aqui.

Mantenha-se imóvel e espere que o CG desista de atacar ou seja dominado por seu dono. Se, contudo, houver o ataque, este deve ocorrer sobre o braço: um CG3 atacará diretamente no pescoço, um CG1 ou 2, pode estar condicionado ainda à manga (ou ao braço). Um Pitbull ou um Bull Terrier tendem a saltar para morder a fronte com muita agilidade. Essa guarda que eu idealizei vai proteger tanto o pescoço quanto a fronte e confundir o animal.

Outro ponto que pode ser atacado facultativamente é a perna da base postada a frente.

Quando sentir a mordida sobre o braço e não antes disso, efetue o tiro encostado no pescoço do animal tantas vezes quantas necessárias para fazê-lo esmorecer ou recuar. Pode ser que, com o ataque, haja sua queda de costas contra o chão, entretanto, não abra a guarda em qualquer hipótese e dispare na hora certa.

Se a mordida vier na perna, dispare sobre as costas do animal, sem abrir a guarda.

Se o cão for do tipo propenso a saltar a fim de morder a sua fronte, sobretudo nariz, possivelmente dará um primeiro salto de estudo das possibilidades geométricas de fazê-lo e, em seguida, saltará de novo, procurando já arrancar o seu órgão nasal. Prevendo esse comportamento comum, pode disparar facilmente no peito do animal durante o segundo salto.


Os ouvidos dos cães são extramamente sensíveis ao estampido que irá ensurdecê-lo provocando dor; isso tanto pode fazer o cão recuar como enfurecê-lo ainda mais. Não se deixe intimidar pela fúria ou tamanho do animal.

Ainda que se trate de um Rottweiler, um Mastin Napolitano - animal muito grande, comum em São Paulo e que faz muitas vítimas fatais -, ou um Fila Brasileiro, por essa via de defesa será possível elidi-lo, desde que mantida a guarda firme e o sangue frio.

O CG alvejado no pescoço pode vir a morrer com a mandíbula ainda cerrada e trancada; isso ocorre com Boxers e Bulldogs agressivos e também com Pitbulls. Atire até perceber que a respeiração do animal realmente cessou.

A reação deve ser rápida pois que um Rott, por exemplo, ao morder um braço, move o pescoço para os lados, utilizando toda a coluna vertebral e a base do rabo para gerar alavanca e nesse jogo de corpo já chegou a arrancar um braço do ombro.

A pressão da mordida em si, entretanto, irá, de início, causar pouca ou nenhuma dor, portanto, atire no cão assim que senti-la e repetidamente, de modo a evitar que este chegue a balançar a cabeça.

Tentar alvejar o animal antes de receber a mordida, poderia fazer com que o CG se esquivasse da visada e atacasse o braço que empunha a arma primeiro e, aí, tudo estaria perdido. Já fazendo a guarda e a base propostas e mantendo a arma junto ao corpo o cão não irá visá-la.


Obsão 1: em legíitima defesa de terceiros, procure alvejar um cão em ataque bem de perto para evitar de acertar na pessoa que está sendo atacada, e mire sempre que possível, como no caso de qualquer mamífero quadrúpede, atrás da pata dianteira.

Obsão 2: se o CG estiver a uma distância tal que permita tentar alvejá-lo antes da mordida e numa atitude que autorize a certeza de que irá atacá-lo, faça-o utilizando a sua posição ideal de tiro. Como é difícil matar um CG de porte médio a grande a tiros, se o animal não recuar e vier a atacar, faça uso imediato da guarda, da base e das técnicas descritas acima.


Leia também:

- Dica: Advertência Sobre Tiros De Advertência.

- Dica: Como Reagir Imobilizado.



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Nós todos amamos os nossos cães de guarda e odiaríamos vê-los machucados.
Entretanto, não é por isso que eu aconselho que se espere pela mordida para efetuar o disparo defensivo e sim para preservar a vida da pessoa humana atacada.

Antes da mordida, adotada a posição defensiva que eu criei para este tópico e para o nosso blog, em primeira mão, e guardada alguma calma, algum sangue frio, pode ser que o ataque nunca chegue a ocorrer, embora insinuado pelo cão.

Ademais, esticar a mão com uma arma para um CG a pouca distância, sobretudo se este for bem adestrado, pode ser fatal para o atirador.

Essas duas razões combinadas me levaram a desenvolver esse pequeno "caminho", esse "joguinho" aí, que me parece ser o mais racional e pragmático: o cão alvejado no pescoço, com um calibre adeqüado à defesa pessoal, assim que iniciar a mordida, provavelmente, nem terá tempo de firmar a mordedura.

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Passaremos agora à identificação de alguns cães de guarda e de rinha.


Rottweiler.





O texto abaixo é interessante porque não fala do cão como um animal temível, desmistificando os exageros que a mídia veicula em relação a essa belíssima raça, que é naturalmente territorialista e pode até prescindir de condicionamento para fazer guarda, protegendo residências e famílias.

"O Rottweiler, como muitas outras raças, é resultado de muitos anos de criação selectiva. Pensa-se que os progenitores da raça foram os cães Molossóides que acompanhavam as legiões Romanas. A resistência destes cães permitia-lhes efectuar os percursos mais árduos. Além disso, a sua função de guarda protegia as manadas de lobos e de eventuais ladrões de gado".

Não deixe de ler o texto completo no site:
Amigo do Rottweiler .




Mastin Napolitano.




O Mastin é um cão de guarda pesado e corpulento, dócil e confiável comum no Estado de São Paulo.
É, ademais, um dos animais que mata seres humanos, eventualmente, na defesa de seu território e da família do dono.

Alguns comentários sobre a raça, em espanhol: wikipédia .

Vídeo em que se vê um animal belíssimo chamado Alacran:




Pitbull.




O Pitbull, ou American Pitbull Terrier é um cão desenvolvido pelos estadunidenses para rinha com outros cães.
Não é um animal naturalmente apropriado para guarda, embora qualquer cão possa ser condicionado e eu vi Pitbulls muito bem adestrados para a função anti-sequestro: os animais literalmente voam pelas janelas dos veículos quando alguém se aproxima dos vidros abertos.

Criadores da raça afirmam que o Pitbull pode ser um cão dócil e fiel, desde que bem educado e tratado. De toda forma, ser proprietário de Pitbulls demanda maturidade e boa formação moral, do contrário, podem ocorrer ataques frequentes a outros animais e ataques eventuais a seres humanos — sem que a residência esteja necessariamente bem guardada, pois o Pitbull nem sempre reage contra invasores, salvo se estiver condicionado para isso. Por outro lado, o condicionamento do Pitbull para guarda e ataque a seres humanos envolve, além de muita responsabilidade, toda uma estrutura material apropriada, muros e cercas bastante altas, etc.

Fotos de pessoas atacadas por cães da raça American Pitbull Terrier.