segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Uma Munição 7.62X51mm -P Spl, de potência intermediária.



O projeto de uma munição de potência intermediária e recuo controlável em rajadas com as mesmas dimensões da munição padrão do FAL e do PARAFAL é plenamente viável, extremamente simples e pouquíssimo oneroso - ou de custos despresíveis.

Entretanto, o seu desenvolvimento e aplicação simplesmente pode mudar a nossa arma básica de categoria numa questão de segundos: um carregador cheio com essas munições de potência intermediária acoplado ao PARAFAL fá-lo-ia passar de MBR a fuzil de assalto; permutando-se novamente os carregadores para emprego da munição 7.62x51mm “standard”, ter-se-ia de novo, no FAL o melhor MBR da História.

Ora, que parâmetros iniciais deveriam ser seguidos para se obter esse cartucho "milagroso" e essa atualização plena do FAL e do PARAFAL pela via da munição, sem qualquer modificação necessária da arma?

Vamos dividir esta questão em partes; falemos primeiro sobre o projétil e, em seguida, sobre a carga de propelente.


O PROJÉTIL.

A munição M43 de 7.62x39mm do fuzil de assalto AK-47, de potência intermediária, leva projéteis de 7.90 mm (0.311 polegadas) de diâmetro e 8.0 gramas (123 granis) de massa, sendo essas balas do tipo Spitzer.

O calibre 7.62mm OTAN leva pontas de 7.82 mm (0.308 polegadas) de diâmetro, diâmetro este que é de fato menor que o da M43, embora a nomenclatura usada para ambas as balas seja a mesma: 7.62mm. A massa da nossa munição padrão é de 9.50 gramas (146.6 granis).

Como não pretendemos, porque seria desastrosamente ilógico, trocar os canos do FAL e do PARAFAL, bem como seus carregadores, podemos tomar como base inicial para o desenvolvimento do projétil da nossa munição 7.62X51mm -P Spl a bala da munição M43 do AK.

Feitas as adaptações pertinentes ao diâmetro do projétil, haverá já, por força, uma redução de massa – já que a ponta do AK é ligeiramente mais larga. Reduza-se ainda um pouco mais o peso do projétil para chegar ao patamar de 7.5 gramas equivalente ao da munição de 6.8x43mm SPC Remington e teremos atingido quiçá o resultado ideal.


A CARGA.

A carga de propelente no interior do cartucho padrão da munição 7.62mm OTAN do FAL deve ser reduzida até que se obtenha uma liberação de energia tanto mais próxima quanto possível daquela observada na munição 6.8x43mm SPC Remington, ou seja, 2,385 joules.

A massa de 7.5 gramas em relação à energia de 2,385 joules foi amplamente estudada em seus efeitos em tempo muito recente pelos norte-americanos, sob demanda dos militares de forças especiais daquele país, após a guerra do Afeganistão, de modo a obter o que eles consideraram ser a munição de potência intermediária ideal para fuzis de assalto, visando inicialmente a substituir o 5.56x45mm.

Surgiram, então, os problemas políticos, logísticos e financeiros pertinentes a essa substituição, o que irá embargá-la por bom tempo.

Nós, entretanto, podemos "driblar" esses problemas de ordem política, logística e financeira empregando a mesma proficiência dessa relação peso – energia num projétil de dimensões semelhantes às do projétil do incomensuravelmente exitoso calibre 7.62x39mm.

A munição M43 de 7.62x39mm do fuzil de assalto AK-47 libera 2,010 joules de energia sobre uma ponta de 8.0 gramas; ora, fazer com que um projétil semelhante àquele, apenas meia grama mais leve, receba uma propulsão maior, de cerca de 2,385 joules não irá acarretar perda alguma de desempenho, muito pelo contrário.

Se mantivermos a massa de 8.0 gramas – idêntica à do calibre 7.62x39mm – nesse nosso novo projétil da idealizada munição 7.62X51mm -P Spl, já teremos nela uma M43 potencializada; se reduzirmos a massa da bala até o patamar de 7.5 gramas, manteremos a relação peso – energia no exato mesmo padrão do calibre 6.8x43mm SPC Remington. Portanto, estamos falando aqui em padrões de excelência absoluta para munições de potência intermediária de rifles de assalto.

A esta excelência, conjugar-se-á possibilidade de permuta na mesma arma do calibre de potência plena 7.62x51mm “standard”.

Isso feito sem gastos em pesquisas para a construção ou aquisição de novas armas, significa uma atualização do FAL pela via da munição absolutamente racional e tão arrasadoramente proficiente que poderia interromper o programa de desenvolvimento do MD97L e afins de imediato, sem qualquer perda e sem sombra de dúvidas.

Não obstante, soluções empregadas no MD97L podem servir para uma discreta atualização do FAL e do PARAFAL no que concerne sobretudo à redução do peso da base, atualizações estas sobre que já falamos no tópico Uma Atualização do FAL Pela Via da Munição e que a DAS Inc., já concretiza, há algum tempo.


QUESTÕES PERTINENTES À PRESSÃO DO SISTEMA.

O FAL trabalha com pressões bem superiores àquela que se faz necessária para levar a arma a ciclar.

O ajuste de pressão pela tecla giratória do fuzil comporta três posições, conforme este trecho de artigo do especialista brasileiro em armas leves Alexandre Beraldi:

"O sistema de funcionamento [do G36], como já dito, é por tomada de gases, movimentando um pequeno êmbolo com um curso de deslocamento bem curto, o qual impulsiona o transportador do ferrolho, que é solidário a uma alavanca de manejo ambidestra, o qual movimenta a cabeça de trancamento rotativa dotada de sete ressaltos de trancamento. Uma peculiaridade do sistema de tomada de gases é que, logo acima do evento de tomada de gases, há uma válvula de controle de pressão que permite o funcionamento da arma independentemente da energia do propelente e das condições de limpeza do cilindro onde se aloja o êmbolo de gases, permitindo a expulsão de resíduos de pólvora ou outros corpos estranhos que porventura venham a adentrar no mecanismo, tais como água, areia, poeira, etc. Este sistema elimina o botão giratório de regulagem do sistema de gases presente no nosso conhecido FAL, que possui a posição “1”, para pouca pressão no sistema, sendo recomendado o uso com a arma limpa, posição “2”, para mais pressão e uso com a arma com pouca manutenção, e posição “GR”, para lançamento de granada de bocal. Além disso, o nosso complicado FAL tem um anel de regulagem de pressão, logo atrás da massa de mira, que serve para regular um funcionamento mais suave da arma de acordo com a carga de propelente utilizada na munição. Não é preciso nem dizer que nossos soldados conscritos não aprendem como se fazem estas regulagens (a não ser aquela do botão 1-2-GR) e que muitos dos instrutores não têm a mínima noção de para que serve o anel de regulagem de pressão. O H&K G36, sendo mais simples e eficiente, substituiu este complexo sistema por uma válvula de projeto simples, que faz tudo sem intervenção humana, permitindo, inclusive, o lançamento de granadas de bocal".

O ufanismo do especialista em relação ao G36 pode ser posto entre parênteses aqui: aquele fuzil em 5.56mm, não obstante moderno, não se compara ao PARAFAL, atualizado pela via da munição, como rifle de assalto, já porque o calibre 5.56x45mm, segundo o próprio Beraldi inclusive, fracassou nos teatros de operação em combates contemporâneos e não se adapta à armas mais curtas; já porque a legendária confiabilidade do FAL não pode ser posta em cheque diante do simples surgimento de armas ainda não passadas em julgado nos campos de batalha.

O rifle semi-automático de configuração “bullpup” e extração frontal Kel-tec RFB Carbine, em 7.62x51mm, apresentado ao público em 2008, leva várias soluções do FAL, inclusive o sistema manual de regulagem de pressão, além de usar os carregadores do nosso fuzil padrão.


Foto do rifle semi-automático Kel-tec RFB Carbine confrontado com um PARAFAL.




Saber usar bem a nossa arma básica, inclusive regulando a sua pressão adequadamente, é questão de treinamento e não algo a ser questionado em relação ao equipamento em si.

O elemento humano ainda sobrepuja muitas soluções mecânicas “inteligentes” (autoajustáveis) e é com o aprimoramento desse elemento, somado à abordagem racional dos nossos problemas, que atingiremos as metas concernentes ao desenvolvimento amplo do País em todas as esferas. Antes de importarmos o que quer que seja, pensemos em usar da melhor forma possível todo o imenso potencial humano e material de que dispomos.

Para fins comerciais, a expressão 7.62X51mm -P Spl aqui empregada talvez não fosse a mais profícua: utilizamo-la apenas para fins de clareza dentro desta exposição. Para fins comerciais, talvez valesse mais chamar esta munição apenas de 7.62X51mm Spl, onde "Spl" significaria apenas "especial" (ou "special").

Um comentário:

Gaucho disse...

Gostaria de saber o que é o SPL na munição 7,62, pois até então nunca havia visto essa terminologia para muniçoes de fuzis, muito obrigado Claudio Bueno