quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Submetralhadoras De Última Geração: Substituindo Fuzis de Assalto





O limiar entre o que seria uma pistola automática e o que se pode definir como submetralhadora tem-se tornado cada vez mais fugidio nos últimos tempos.

A MP7A1, por exemplo, tem muitas características das pistolas da HK, como frame em polímero - embora com reforços em aço - e tecla de segurança sobre o gatilho, não obstante o seu sistema de operação tenha sido anunciado como idêntico, em escala reduzida, ao do fuzil HK G36. Isto importaria operação à gás com ferrolho rotativo de múltiplos ressaltos, pistão alocado sobre o cano com mola de recuperação própria e transportador do ferrolho constituindo peça independente daquele, um sistema rústico e altamente confiável. Esta arma já foi adotada por unidades do exército e da polícia alemãos em 2007 e por unidades militares de várias nações européias desde aquele ano. A peça pesa, vazia, 1.8 kg (3.96 lb) e tem um comprimento de 340 mm (13.4 in) com a coronha retraída.



A Brügger & Thomet MP9 também incorpora soluções e mesmo sistema de operação de pistola automática unidos a características de submetralhadora. A arma atua, como a maioria das pistolas, por “short recoil operation” com trancamento de culatra (“locking breech”), i.é, utilizando a força de recuo do ferrolho para ciclar e ejetar as cápsulas vazias. Esse sistema de operação garante à pistola-metralhadora uma cadência de 900 tiros por minuto, pouco abaixo da Ingrand MAC-10 de que o EB dispõe em alguma quantidade, esta com cadência de 1090 tiros por minuto.

A BT MP9 leva carregadores translúcidos com capacidade entre 15 e 30 tiros em 9mmP, frame em polímero, seletor de fogo que permite atirar em full-auto ou semi-auto, coronha rebatível, manopla vertical frontal, trilho para acessórios, rosca para abafador e pesa 1.4 quilos vazia.



Logo acima e logo abaixo fotos da submetralhadora Brügger & Thomet MP9.



Essas submetralhadoras de última geração, que levam trilhos picatinny para acoplar acessórios, são ultra-compactas e, sobretudo, atiram em modo semi-auto com precisão e alcance de armas longas, podendo, ao mesmo tempo, ser carregadas no cinturão como “sidearms”, tendem a substituir em CQB, em uma larga medida, os fuzis de assalto compactos que vinham sendo usados também como “sidearms”, entre os quais a M4A1 Commando e o próprio G36C, que é empregado junto com a MP7A1 pela "Infanterist der Zukunft" (Infantaria do Futuro), a qual é parte do programa "Soldado do Futuro" da Bundeswehr, a Força Federal de Defesa Alemã, que unifica Exército, Marinha de Guerra e Força Aérea. Quanto a alcance e precisão, ressalve-se que a BT MP 9 em 9mmP, embora citada aqui, ainda não se insere bem nessa categoria, com alcanse efetivo de 50m, enquanto que a MP7A1, em 4.6mm, verdadeiro ícone de uma nova geração, tenha alcanse efetivo de 200m. De toda forma, a carabina M4A1 Commando, em 5,56mm, com cano de 10.5 polegadas e passos de nove polegadas, que não permitem o aproveitamento completo da força de propulsão dos gases, tampouco rendeu bem no Afeganistão a distâncias superiores a exíguos 35m.



As aplicações dos fuzis em 7.62mm, que alguns autores importantes entendem ser MBR ("Main Battle Rifles"/ Rifles Principais de Combate) permanecem as mesmas, tanto para as infantarias, como para as forças policiais. No trabalho policial, contra fuzis de potência plena em campo aberto, fuzis de potência plena em mãos de homens melhor treinados - agentes públicos policiais. Nos campos de batalha, na medida em que o engajamento dos oponentes vá ocorrendo a distâncias menores, sacam-se as metralhadores e voltam os fuzis para as bandoleiras. Muito se fala sobre peso de armamentos, mas um infante em marcha carrega em média 40 quilos de equipamento ainda hoje e o número de acessórios fundamentais agregados aos fuzis de última geração cresce ininterruptamente.

Na foto abaixo, atualização do FAL para CQB montada pela DSA Inc., em 7.62mm, com lower receiver em alumínio, canos de 11/13 polegadas, trilhos picatinny sobre as telhas, sobre o cano e caixa de culatra e acessórios.



Outro dado importante em relação aos combates a curtas distâncias é o avanço das tecnologias de proteções balísticas e a necessidade de munições para as submetralhadoras em foco que, acompanhando esses avanços, perfurem coletes de configuração CRISAT (1.6mm de titânio sobre 20 camadas de kevlar). É aí que entram as munições AP em 9mm e outros calibres, como a VBR-Belgium, e calibres como o 5.7x28mm da FN P-90 e o 4.6x30mm da HK MP7A1.


Abaixo, foto da BT MP9 no coldre
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No tópico recente Munição VBR "Armor Piercing" 45 ACP e 9mmP, aquela arma que é apresentada no terceiro vídeo, a qual a fabricante chama de “VBR PDW Sidearm” eu houve por bem definir como pistola automática, mas não resta dúvida quanto a esta, das três em foco aqui, ser a que está realmente no limiar entre as pistolas e as submetralhadoras. Acredito que o sistema de operação possa ser semelhante ao da Glock 18, por exemplo, ou da Brügger & Thomet MP9, o mesmo “Jonh Browning`s Short Recoil Operating System, With Locked Breech”.

O vídeo do seriado "Future Weapons" sobre a MP7A1 mostra um detalhe que provavelmente tenha escapado aos olhos de muitos: quando se movimentando em traje de campanha, o ex-SEAL que apresenta o programa leva um rifle “sniper” de ferrolho na bandoleira e a MP7A1 nas mãos, uma perfeita combinação que pode ser resolvida também pela conjugação MBR em 7.62mm (FAL ou PARAFAL) e submetralhadora:



Clique aqui para assistir o vídeo no youtube.

Assim, as atualizações de que o FAL e o PARAFAL realmente necessitam não ultrapassam muito a simples colocação de trilhos picatinny sobre as telhas e sob o cano e sobre a caixa de culatra para acoplar acessórios.

Entendido como MBR, e não como fuzil de assalto, o nosso FAL, dentro da sua categoria, com função híbrida: fuzil de combate/fuzil-metralhador, é um rifle imbatível; nunca houve arma anterior ou posterior que o igualasse. Talvez o G3 tenha chegado mais perto disso, mas o M14, que continua sendo o MBR ("Main Battle Rifle/Rifle Principal de Combate) das tropas norte-americanas, a despeito de ser um excelente rifle, não chega nem perto do FAL, considerada a incrível rusticidade, a simplicidade, toda a incomensurável confiabilidade, o tamanho e o peso do PARAFAL. Entendido erroneamente como fuzil de assalto, o PARAFAL ainda superaria, em muitas circunstâncias, já pelo calibre, todos os fuzis mais modernos em 5.56mm, alguns destes, péssimas armas no que concerne à rusticidade e confiabilidade. Hajam vista as experiências amargas recentes dos norte-americanos no Oriente Médio, já citadas neste blog e, há pouco, neste mesmo tópico, que levaram unidades especializadas e de infantaria a porem de lado os M-16 e M4A1 e usarem como fuzil de assalto o MBR padrão da tropa em serviço desde 1957 até os dias de hoje, com mais de cinco quilos de peso, sem o carregador – o M-14, em 7.62mm. A premência dessa substituição foi de tal ordem, dado que o engajamento dos combatentes afegãos nas montanhas ocorria a partir de 300m, que deixou como marca para avaliações pelos especialistas de todo mundo as coleções de fotos, mostrando improvisações desesperadas do M-14 para receber trilhos e “red dots”.





Ao invés de pensar em trocar ou modificar a arma principal das nossas tropas, seria muito mais profícuo que o Alto Comando se concentrassem em garantir uma produção nacional de munições especiais modernas, sobreduto em 9mm, capazes de perfurar coletes na configuração CRISAT e outras proteções balísticas.

Essa providência já traria um fôlego novo a velha M9 M972 , mas não seria absurdo pensar-se em adquirir nova licença para fabricação de submetralhadoras de última, ou penúltima geração como a Brügger & Thomet MP9, por exemplo. Com isso, se lucraria muito mais do que adquirindo ou produzindo fuzis de assalto anacrônicos no sempre decepcionante e “anêmico” calibre 5.56mm.

Um comentário:

CAP WALTER disse...

Muito bom o descrito sobre submetralhadoras de última geração. Entendo que devemos avançar tecnologicamente nesse aspecto, mas tenho dúvidas quanto à logística para adotar uum novo armamento para as FFAA.No entanto os vejo em Unidades Especializadas, justamente em acordância com o preconizado pela utilização de um MBR em conjunto. E já não é sem tempo do EB começar a estudar o uso de back up guns para suas tropas, sejam pistolas ou submetralhadoras.