sábado, 13 de dezembro de 2008

Uma Atualização da Ingram MAC-10: Munição / Arma



As submetralhadoras Ingram MAC-10 e MAC-11 estão entre as arma leves mais devastadoras desenvolvidas pela indústria bélica no século passado.

A incrível simplicidade da arquitetura dessas armas gerou pelo mundo afora um grande número de versões “homemade” (caseiras) da subsmetralhadora. Este é o ponto mais importante do seu projeto: se a MAC-10 pode ser “clonada” e modificada em oficinas caseiras e clandestinas com sucesso, talvez, e apenas talvez, possa ser atualizada com êxito a baixos custos para uso militar contemporâneo.

Vou-me concentrar na MAC-10, pondo de lado a MAC-11, em primeiro lugar, porque aquela já existe, em alguma quantidade no arsenal do EB, sendo o Brasil e os EEUU os dois únicos países, pelo que sei até aqui, que chegaram a adotá-la como armamento militar, logo há uma familiardade dos nossos militares em relação à arma. Em segundo lugar, porque, a despeito de terem caído em relativo desuso diante do surgimento de modelos mais modernos, mais leves e ergonômicos, que dão conta das mesmas utilizações, continuam satisfazendo padrões que eu mesmo apontei em tópicos anteriores como designativos de uma nova geração de submetralhadoras, exceto no que concerne ao peso (2.84kg). A MAC-11 me parece compacta em excesso para esse emprego: falta espaço para agregar acessórios necessários à arma.

A fabricação da MAC-10, em sistema “blowback”, é extremamente barata e de fácil consecução, sobretudo em larga escala. Se for necessário comprar a licença para fabricá-la, por certo, será também pouco onerosa esta empreitada.

A Ingram MAC-10 é fabricada em três calibres: o.380 ACP, ou 9mm curto, o .45 ACP e o 9x19mmP, os dois primeiros já subsônicos e adequados ao uso com abafadores.

A arma tem uma cadência de fogo impressionante: 1090 tiros por minuto; pode ser levada no coldre de cinturão, desde que tornada mais leve, como arma de lado (“sidearm”), sacada rapidamente e empunhada com uma só mão para ser acionada em regime intermitente, apresentando seleção de fogo para regime semi-auto e “full auto”. Atende, assim, a todos os requisitos básicos das pistolas-metralhadoras de última geração abordadas em postagens recentes neste blog, exceto pelo peso, como já foi dito, bastando a colocação de trilhos para acessórios na armação e pouca providência mais.

O calibre .45ACP, dentro da configuração final adotada em 1905, leva projéteis de 15 gramas de peso. Não obstante, surgiram versões mais modernas do calibre, como a munição Federal Premium Low Recoil JHP, com projéteis de 10.7 gramas. Recentemente, foi desenvolvida a munição VBR .45 ACP AP para atender às especificações do FBI, cujos testes demonstram um alto poder de penetração e de parada, transfixando proteções balísticas em configuração CRISAT e superiores.

Assim, a nossa proposta de uma atualização viável em termos econômicos, logísticos e políticos do FAL e do PARAFAL pela via da munição, se veria talvez bem complementada por esta perspectiva razoável de atualização da MAC-10, enfocando, da mesma forma, o desenvolvimento de novas munições especiais para esta.

O brasileiro é famoso no mundo por ser um povo que extrai das dificuldades materiais uma criatividade prática, que, por vezes, chega a superar em resultados a criatividade associada à total disponibilidade de recursos observada em outros países.

Suponhamos, pois, que o EB possa financiar o desenvolvimento de munições nacionais em dois calibres distintos para uso numa Ingram MAC-10 atualizada de fabricação nacional e pouco onerosa.

Uma primeira hipótese de munição a ser demandada pelo EB à indústria nacional de cartuchos seria uma versão AP do calibre .45 que conjugasse características da Federal Premium Low Recoil JHP (de baixo recuo), para rajadas mais controláveis, e, concomitantemente, características da VBR .45 ACP AP, esta uma munição de resultados realmente assustadores. A meta pretendida aqui seria, então, uma munição .45 AP de baixo recuo.

Essa munição .45 AP de baixo recuo faria da MAC-10 uma arma capaz de obliterar três oponentes agrupados, com proteções balísticas de ponta, através de uma única poderosa rajada controlada de trinta disparos por segundo, com alto poder de parada e de perfuração garantidos. Ter-se-ia, ainda, a possibilidade de intercambiar a munição em foco em pistolas modelo 1911, fabricadas pela IMBEL, mas não adotadas pelo EB no presente, por conta do recuo acentuado. Resolvido este problema pertinente ao recuo pela referida fusão de tecnologias entre as VBR .45 ACP AP e a Federal Premium Low Recoil JHP, aquela de fabricação belga e esta manufaturada nos EEUU, poderia haver um aproveitamento militar concomitante das incomensuravelmente confiáveis e rústicas pistolas 1911.

A segunda hipótese seria o emprego de uma munição nacional AP em 9mmP, baseada, quiçá, na VBR-Belgium 9mmP e/ou na munição russa 9x19mm 7N31 +P+.

Não estamos falando aqui em obter licença para a fabricação destas munições, mas, ao contrário, em copiá-las e modificá-las, adaptando as suas melhores características às nossas necessidades: uma operação oficiosa, mas não problemática, se bem feita, dentro de um programa oficial bem sustentável do ponto-de-vista financeiro. Coisa que, com efeito, o mundo inteiro faz o tempo todo.

Estas munições nacionais .45 AP e 9x19mm AP trariam as vantagens de maior alcance e precisão inerentes às características aerodinâmicas das pontas desse tipo, associadas ao emprego de propelentes em quantidade e qualidade especiais.

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A ATUALIZAÇÃO DA ARMA EM SI.

A atualização da MAC-10 demandaria a substituição daquela coronha antiquada, retrátil e rebatível, por uma de modelo mais contemporâneo e apenas retrátil. Demandaria, ainda, a colocação de um trilho adiante do guarda-mato para acoplar-se facultativamente uma manopla de manobra ou uma lanterna, ou, melhor ainda, uma manopla com uma lanterna acoplável à extremidade inferior e, preferencialmente, também inclinada para frente (a manopla) para garantir maior ergonomia como a da BT MP-9. Seria fundamental a colocação de trilhos picatinny sobre a caixa de culatra para acoplar-se miras holográficas de visada rápida e o cabo mereceria um revestimento de borracha ou sintético que garantisse maior aderência à mão.

Na foto, manopla da BT MP-9 com lanterna acoplada à extremidade inferior.

Entretanto, nem tudo são flores neste projeto: o gatilho desta arma é pesado e as miras são péssimas. Estas podem também ser trocadas por miras reguláveis melhores, embora as “red dot” devam ser usadas como padrão. A arma requer, ainda, limpeza constante, sob pena de não funcionar adequadamente. O peso de 2.84 kg vazia está muito além do desejável para usá-la como “sidearm”, porém, a MAC-10 possui um “receiver” dividido em duas partes, “upper” e “lower receiver”. Essas duas partes são construídas em folhas de aço (“sheet steel”). Se o “lower” puder ser fabricado em alumínio especial como o do MD97L, talvez já tivéssemos uma redução de peso suficiente.


A serem verídicos os boatos sobre experiências com usinagem de polímeros na FI (Fábrica de Itajubá) para a fabricação de armações de pistolas, esta perspectiva traria uma luz importante ao nosso projeto de atualização da MAC-10. Na verdade, a usinagem de polímeros em si é simples e muito empregada em pesquisas e fabricação de protótipos. Realmente cara é a máquina injetora e os moldes utilizados para fabricação em série de peças em polímeros. Pode ser, então, que a equipe da FI esteja pretendendo comprar uma dessas máquinas injetoras, moldes e etc, se já não o fizeram... A MAC-10 atualizada teria que pesar menos de dois quilos para atender bem a expectativa de poder ser utilizada no cinturão como as submetralhadoras de última geração.

Se estas modificações puderem ser feitas a contento ter-se-ia uma submetralhadora de ponta, plenamente compatível com as mais modernas do gênero, ideal para acompanhar o emprego do FAL e do PARAFAL atualizados pela via da munição, consoante a nossa proposta principal, num contingente brasileiro incumbido de integrar tropas internacionais de paz.

Permanecemos, assim, imbuídos do ideal de soluções econômica e politicamente sustentáveis para as dificuldades de verba encontradas pelas FFAA pátrias, visando a resultados rápidos que acompanhem a iminência política de ocuparmos um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.


FEEDBACK

Recebi este "feedback" sobre o artigo acima do engenheiro Paulo Gonçalvez, que integrou a equipe da BERGOM, o qual foi postado na nossa comunidade do orkut:

"Esse tipo de arquitetura típica da Ingram, da Sten e de muitas outras similares, trabalhando em blowback e com mecanismos de disparo bem simples, só padeceram por algumas limitações bem inerentes àquela época: falta de homogeneidade da munição (o sistema "blowback" é especialmente sensível a esse tipo de problema) e à um custo mais elevado de fabricação de peças com maior precisão, que acarretava, por vezes, a fabricação de peças com menos precisão, mais folgas, menos eficiência.

"Com as técnicas de fabricação dos dias de hoje e com as munições atuais, é um tipo de arma muito confiável e que pode ser fabricada em grandes quantidades, a preços ridículos".

Um comentário:

CAP WALTER disse...

Já tive oportunidade de disparar com uma arma similar a INGRAM, na verdade uma, fabricada em Atlanta GA. Particurlamente a achei pesada e não o suficiente adequada para CQB. Talvez as versões mais modernas dotada de coronha, ou até mesmo a mini uzi sejam mais adequadas.Se bem que atualmente existem modelos bem mais atualizados em termos de calibre e sistemas de pontaria e acessórios